CAUSOS DE CABOCLOS VIOLEIROS

A Radio Primavera de Porto Ferreira apresentava ao vivo nos dias de domingo um programa sertanejo, que era o famoso “Casa de Caboclo”, nas dependências do Ginásio Estadual José Gonso, ali bem próximo da estação rodoviária.

Neste recinto existia um pequeno palco com uma divisória de madeira contendo uma porta separando o palco e os bastidores, local em que as duplas ficavam aguardando a sua vez de se apresentarem pela ordem de chamada, e que nesta divisória foi desenhada uma casa de caboclo, retratando a vida no campo. No pequeno auditório havia muitas cadeiras, mas não o suficiente para abrigar o publico ouvinte, estava sempre lotado.

A maioria das duplas sertanejas, trios e sanfoneiros que se apresentavam eram de Porto Ferreira, e algumas vezes vinham duplas famosas tais como Amoroso & Amaraí, Duo Glacial, e Milton & Marcos em inicio de carreira.

Nos intervalos eram sorteados brindes doados pelo comércio local, tais como, um quilo de linguiça, uma dúzia de ovos, um pão-de-rosca, etc., para a plateia mediante um ingresso numerado que os frequentadores recebiam no portão de entrada, e para os artistas eram sorteados instrumentos musicais, viola e violão.

As inscrições para os músicos participantes eram preenchidas rapidamente, numa média de 20 inscrições. Ali mesmo no cantinho, nas proximidades do palco vários músicos ensaiavam e formavam de improviso duplas, trios, que muitas vezes o locutor chamava a atenção deles para ensaiar um pouco mais distante em razão de atrapalharem o andamento do programa. Eles davam uma trégua e minutos depois os ensaios continuavam. Tinha também um barzinho que vendia bebidas doces e salgados, e alguns músicos tomavam uns “goles de água benta” para perder a timidez.

O programa seguia seu curso normal obedecendo à sequência das inscrições, eis que um locutor não oficial pega o microfone e anuncia a próxima dupla, dizendo “Agora com vocês, a dupla dos cabelos longos”.

A dupla ora anunciada se posta atrás do palco, sendo que um dos integrantes entra no palco liga o seu instrumento na caixa de som e o outro musico não, ficando ele o outro integrante da dupla próximo da porta do palco, e daí bastou que o locutor se dirigisse pela porta afora, saindo do palco, leva uma violãozada bem na cabeça. Eu estava bem próximo da porta fiquei surpreso com a atitude do tal violeiro. Por sorte do locutor a pancada com o bojo do violão pegou primeiro na guarnição da porta e em seguida atingiu a cabeça, mas o locutor ficou com o violão quebrado em volta do pescoço parecendo uma gravata, nesse ínterim o violeiro sai correndo, pula o muro e some. Lembro-me de que o referido violeiro não tinha cabelos longos, era sim careca, e até hoje nunca mais vi o tal violeiro dos cabelos longos.

“Conto o milagre, mas não posso contar quem foi o santo”

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