O acordeonista "Landinho Cortês"


 

.-  Músico vive de ilusão!-.

O meu amigo Orlando Fernandes, mais conhecido por “Landinho Cortês” residiu muitos anos no bairro da Vila Carioca, ele estudou e se formou professor de música no “Conservatório Carlos Gomes”, entidade com instalações no bairro Liberdade, e frequentava também a A. A. B. - Associação dos Acordeonistas do Brasil, entidade que mantinha intercâmbio nacional e internacional, e com isso agregava novas técnicas de execução instrumental.

No dia  24 dezembro de 1958 participou de um concurso no Teatro Municipal de São Paulo, promovido pelas Lojas Pirani – Pianos Hering e Radio Gazeta. Quem recebeu o premio de melhor executante foi à acordeonista Armida Valeri, e Orlando Fernandes o premio – extra de  melhor aluno.

Para ficar registrado o evento cultural - artístico a Radio Gazeta gravou direto do Teatro Municipal de São Paulo um acetato 78* rotações, gravado por via telefone.

Daí enveredou pelo meio artístico tendo acompanhado vários artistas, famosos da época, tais como “Roberto Vidal” que gravou a música “Negue”, Ângela Maria e outros mais.

Por um acaso fui visitar uns parentes na minha cidade natal, Porto Ferreira e acabo encontrando o “Landinho Cortes” sentado num banco da praça. Daí muita conversa rolou, e recordava os tempos em que morou no Ipiranga. Dizia que se lembrava de ter praticado natação no famoso “Tanque da Pólvora”, local frequentado também pelos esportistas do C.A.Y.-..Clube Athlético Ypiranga, que tinha nas proximidades o também famoso “Castelo do Samarone”, que também conheci na década dos anos 50.

Perguntei para o Landinho, como é que você veio parar em Porto Ferreira? É uma longa história disse ele. Cansei de viver na capital, minha mãe Antônia Cortes tem parentes aqui em Porto Ferreira e por aqui vou ficar até morrer.

Mas falando de música você tem aquele disco de acetato que foi gravado pela Rádio Gazeta. Disse tenho sim, está guardado dentro de uma velha caixa de madeira, mas não é um baú, risos... Tudo bem me empresta que quero ouvir como ficou. Falou. Você tem uma vitrola para rodar 78 rotações, eu disse não, mas empresto uma. Enfim ouvi o tal disco de acetado na casa de um amigo, apesar de toda chiadeira o disco estava  em ótimo estado.

Falou também que em Porto Ferreira estava trabalhando como professor de música e tinha vários alunos um deles por nome de Rogério Bonani, ia patrocinar a gravação de um Cd, sem acompanhamento, apenas eu (ele) tocando acordeão. É uma ótima ideia, assim fica o seu registro musical para a eternidade. Disse o amigo Landinho. O Tangerynus nada de eternidade eu quero viver muitos anos ainda. Encerramos a conversa nos despedimos e nunca mais vi o Landinho.

Voltei para São Paulo e soube por intermédio de um amigo que o “Landinho Cortês” faleceu no mês de outubro de 2005, sendo seu corpo transladado para o cemitério de São Caetano do Sul. Enfim soube também que não gravou o Cd que falava com tanta emoção. Disse ele que musico vive de ilusões.

“Anos 80.  Certo dia estava na Pizzaria do “Lazinho”, pizzaria essa mais conhecida pelo nome “Forno de Barro”, estabelecimento localizado nas proximidades da Estação Rodoviária de Porto Ferreira, eis que entra no estabelecimento o Sr. Austin, amigo do Landinho, tempos dos bailes do Professorado Paulista”. (Tangerynus)

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