ZÉ DO CATETO E O SANKARÉ


Histórias de Porto Ferreira-SP


.-DEZEMBRO DE 2004-.

Era fim de ano, um caboclo conhecido por Zé do cateto, pessoa essa que vivia isolado do mundo, mas cansado de ser ermitão resolveu ter uma prosa com o Sankaré.
O Zé do cateto foi até a beira do lago (ETA-CORREA PORTO) e ficou chamando o Sankaré, que também atendia pelo nome de Chicão. E aí iniciaram uma prosa.
- O Sankaré ao chegar foi logo perguntando pro ermitão o que é que você quer comigo. - Respondeu o Zé do cateto. Eu queria prosear c’um vóis micê, porque estou de saco cheio de viver sem falar com ninguém.
- O Zé do cateto pergunta pro Sankaré: quem é que lhe trouxe pra esse lugar?
- O Sankaré responde: sinceramente eu não sei, lembro-me de que vim pra cá bem pequeno, e isso já se passaram 10 anos!
- O Zé do cateto pergunta pro Sankaré:  o que é que você comeu durante todo esse tempo neste lago?
- O Sankaré responde: eu já comi tartarugas, tatu galinha, lagarto Teu, saracura três potes, lebre, gato, ganso, pato selvagem, mas sapo foi que mais comi, aliás, estava esquecendo dos peixes, pois aqui tem pacu, tilapia, lambari, piranha, enguia, jaracuçu do brejo, e outros bichos mais que não me lembro.
- O Zé do cateto olha para o corpo do Sankaré e diz em tom de brincadeira. Não é atoa que você está bem gordinho.
- O Sankaré responde pro Zé do cateto: Eu só não comi carne de humanos, mas estou com vontade de experimentar???
- O loco exclamou o Zé do cateto!
- O Zé do cateto ficou de zóio estalado ao saber disso e falou pro Sankaré. Desde que não seja eu tudo bem seo Sankaré.
- O Sankaré pegou na risada, e foi dizendo. Você não, isto porque você é meu amigo, desde que vim pra esse lugar. Você sempre me tratou bem, aliás, lembro-me de que muitas vezes até carne de boi vós me trouxestes, e digo mais você não sabe, mas eu te considero pacas, e como um amigão do peito. E tem mais, quando aqui tu vieste trabalhar, quase comi a sua mão, pois eu estava muito zangado com um cara que aqui estivera e que essa pessoa vivia dando tijolada em mim à toa, e você nunca me agrediu. E tenho mais, eu sei que você tem mania de escrever textos na máquina de escrever, agora parece que aposentou a tal máquina, e só digita textos no computador, toca sanfona, toca teclado eletrônico, e compõe músicas. Se tivesse comido sua mão direita, você estaria perdido, né seo Zé do Cateto.
- O Zé do cateto responde: de fato meu amigo Sankaré, isso é a pura verdade.
- O Sankaré cutuca o Zé do cateto e pede pra tocar a música “Prece ao criador”.
- O Zé do cateto atende o pedido do Sankaré, e vai deslizando os dedos na sanfona.
- O Sankaré fica feliz da vida, pois afinal a musica “Prece ao criador” fala da mãe natureza, na qual estou incluído, afinal eu sou um jacaré, né seo Zé do cateto.
Enfim os sinos da igreja badalavam anunciando que já era 2005, ano novo, ambos se se despediram, tchau... tchau...

Em outubro de 2012 o amigo Sankaré foi exterminado, não se sabe quem foi...

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