ANTIGAS BICICLETAS



O meu pai comprou uma bicicleta de “meia corrida” para ir trabalhar, tinha farol, foi com a tal que aprendi a andar, logicamente que durante o aprendizado levei vários tombos, e que tombos.

Num certo dia da semana eu peguei a bicicleta sem ordem e fui rodar pelas ruas empoeiradas da Vila Carioca, horário noturno.

Entre umas voltas e outras resolvi parar e fui estacionar a magrela em frente da sede do Juvenil Flor da Vila F.C., sede localizada na Avenida Carioca com a Rua Lício de Miranda.

Durante a semana sempre havia um torneio de ping-pong (tênis de mesa) e que quem fosse o campeão ganhava um litro de groselha e 1 litro de leite gelado, que misturavam tudo e dividiam entre todos que ali estavam.

Eu fiquei ali observado o torneio e esqueci da bicicleta, terminado o torneio sai pra fora da sede, e cadê ela?  Estou frito, vou levar uma surra daquelas. Pensei quem será que roubou? Sumiu e agora como é que vou chegar em casa sem a bicicleta. Andei pra lá e pra cá, nada de achar, essa hora quem roubou deve estar bem longe.

Só me restou ir pra casa e avisar o meu pai que a bicicleta de meia corrida, novinha em folha foi roubada, mil pensamentos na cabeça, medo de apanhar. Cheguei em casa, meu pai estava sentado próximo do fogão de lenha conversando com a minha mãe tranquilamente,  olho num canto da cozinha vejo lá a bicicleta, confesso que vê-la fiquei aliviado.


O meu pai foi à pessoa que pegou a bicicleta lá na sede, me disse que agiu desta maneira para me dar um exemplo que, não podemos bobear com coisas que estão em nosso poder, seja lá o que for nesses tempos não havia tantos roubos de bicicletas como nos dias de hoje.
 
A partir desse dia nunca mais peguei a bicicleta sem ordem, e como já sabia andar, fiz um “cambiocó”, trocando um relógio de pulso por uma bicicleta de mulher. A bicicleta que peguei tinha o breque no pé, bastava girar os pedais pra trás, e me estrepei com isso.

Com essa bicicleta rumei para a casa da tia Ana casada com o compositor “Claudionor Viola”, Rua Alencar de Araripe pra frente de uma firma fabricante de doces de mocotó. A conversa girava em torno de música, enfim ele era compositor de músicas sertanejas.
De tardinha vinha regressando para casa, passei pelo Largo São João Clímaco, peguei a Estradas das Lágrimas,  descendo por esta via publica passando em frente da “Cocheira de cavalos”, que era uma garagem dos carroções da prefeitura de São Paulo, umas meninas mexeram comigo, olhei pro lado, tentei parar girando os pedais para trás e o resultado, quando dei conta estava grudado numa cerca de arame farpado todo esfolado. “Breque no pé, o trem complicado sô”.

As meninas se foram, desgrudei da cerca, sacudi a poeira e lá vou pra Vila Carioca, todo arranhado pelo arame farpado.

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