Bate vento que quero ver



Na década dos anos 50, eu era criança, que vivia a brincar pelas ruas da Vila Carioca. Estava no meio de jovens adultos disputando algumas peladas de futebol em terrenos baldios, e nos intervalos íamos pedir água nas casas vizinhas do nosso campinho, aliás, os garotos mais velhos faziam questão de dar um chutão na bola de capotão, que caía dentro do quintal só pra ver as meninas moças. Um dos locais que jogávamos futebol era onde tinha um velho galpão, que foi usado como escola, Rua Albino de Moraes com a Rua Campante, em frente da cassa do famoso “Antônio barraqueiro”, pessoa que construía casas de madeira.

Os mais adultos, quando via as meninas e moças conversando na rua ou no portão, viviam torcendo para que viesse um vento forte em forma de "roda moinho", até faziam figas pra que isso acontecesse. Eu não entendia a razão disso. Era engraçado, eles torciam pra que o vento levantasse as saias das moças, daí seria possível ver as pernas delas, coisa rara de se ver na época, em algumas vezes até apostavam suas coleções de: caixas de fósforos; maços de cigarros e figurinhas e outras coisas mais. Num certo um vento fraco soprou e o fato não aconteceu, eles ficaram frustrados.

Nestes tempos ninguém via mulheres vestidas de calça comprida, aliás, o vigário da paróquia Santo Antônio (Vila Carioca) não permitia que elas entrassem com mangas japonesas quando iam assistirem às missas domingueiras, alguns diziam mangas cavadas, isso para o padre era um desrespeito à religião.

Outra coisa que acontecia muito era o fato de que um romance prematuro surgisse uma gravidez, daí o bicho pegava. Era caso de polícia. Casa ou ficava preso na cadeia.

Tinha lá no bairro um jovem rapaz que só contava vantagens e disse qualquer coisa a respeito de sua namorada, daí o pai dela soube, que esperou ele chegar do serviço, e pegou-o pelos colarinhos e levou-o até a delegacia de polícia, que ficava na Rua Colorado.

Eu e o mano namorávamos as irmãs mais novas e ficamos apreensivos, isto porque o pai delas foi dando bordoadas pelas ruas empoeiradas e escuras da vila até chegar na delegacia, digo isso porque presenciei tal cena, nós íamos acompanhando uns vinte metros distantes deles até a entrada da delegacia, e na presença do delegado ele negou tudo. Foi obrigado a mudar do bairro por isso. O dito cujo ficou com o rosto todo inchado, e as marcas da surra ficaram visíveis em cada olho. No nosso caso isso não ia acontecer, era um simples namorico, mal sabíamos o que era namoro, e sempre estava com ela o seu irmãozinho, isso quando nós íamos levá-las na escola primária que elas estudavam à noite, na Rua das Municipalidades.

Enfim, coisas de criança, comparando com os dias atuais, as coisas descambaram.

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