Lembrando do meu avô José Pereira Tangerino (Zeca Bem)

1894+1986
BISAVÓ MATERNA: FRANCISCA IRIA DOS ANJOS - AVÓ JULIA - AVÔ J. P. TANGERINO
ANA PEREIRA TANGERINO - MARIA P. TANGERINO - DEOLINDA TANGERINO, 1929 - SANTA EUDÓXIA

  
Lembranças do meu avô Zeca Bem...Conversando com a parenta Ana Reducino, por parte da avó Julia Alves Pereira, fiquei sabendo que: José P. Tangerino (Zeca Bem), conhecido também pelo apelido de “O catireiro”, isso em razão de fazer parte de um grupo de catireiros.

Ele era de estatura baixa, nem gordo nem magro, mas dotado de uma sabedoria. Tinha muita austeridade e pureza, dizia ele: “eu sou caboclo que nasci na Fazendinha, morei num pequeno sitio, casinha pau-a-pique, coberta de sapé, chão batido, que nela tinha um fogão de lenha”.

O sítio foi doado ao meu pai Manoel Tangerino em 1800?  Pelo governador da província, parte de uma pequena “sesmaria”, entre as famílias: Reginaldo; Carlindo; Lima; Reducino; Tangerino e outras mais que não me recordo agora. Que ficava a beira de um rio, que chamavam de Ribeirão Bonito, com água cristalina, e muitos peixes para pescar, era uma beleza.

Pessoa alegre, cheio de prosa, velho contador de “estórias e causos” e que no som de uma viola, cantava e dançava catira. A sua profissão na lida da vida, era ser lavrador. Gostava de fazer rimas, e também rezar o terço, quando ia dormir e quando levantava.

Nos dias frios do inverno, ficava sentado perto do fogão de lenha, parecendo um gato borralheiro, com seu cigarro de palha por entre os dedos, e às vezes coloca na orelha. Já nos idos de 1954, morando no bairro Vila Carioca, desta vez numa casa de alvenaria, dizia que a vida mudou para melhor.

Religioso, vivia com o seu velho terço na mão, e nos fins de semana ia rezar nas igrejas do bairro, ora na Igreja Nossa Senhora Aparecida, ora na capela de Santo Antônio. São Sebastião, era sua devoção, estava sempre em comunhão, em comunhão com Deus.

De madrugada, após um breve período de sono, levantava-se, sem fazer barulho, com as luzes apagadas, ia andando pelo quarto, passando pela sala, palpando pelas paredes até chegar na cozinha. Abri o armário, pegava o pote de farinha -de- milho, mais um pedaço de goma de mascavo (rapadura), misturava com leite e ia degustando até ficar enfarado.

Ele já com uma idade bem avançada, na casa dos 94 anos de idade, ao ser indagado por alguém, dizia que: “ Eu não sou  velho. Quem é velho, é trapo, porém eu sou usado”.

A surdez já tomava conta, e não gostava de usar o aparelho auditivo, isto porque, na sua cabeça, era uma barulheira danada. Ouvia-se sirene de ambulância, apito de fabrica, telefone etc., de certa forma o aparelho de surdez lhe incomodava. Em tom de ironia, dizia também que era melhor ser surdo, pois assim evitaria ouvir muitas besteiras.

Durante um bom tempo, vivia dizendo, que estava muito preocupado, pois a sua manada tinha sido pego pelo D.E.R.- Departamento de Estrada e Rodagem. O seu pequeno gado escapou do pasto, e agora precisava gastar dinheiro, para retirá-los.

Essa preocupação durou vários meses, eu, Tangerynus, Rubens, Ademir, Antônio, Neuza e Elisabete não sabíamos como resolver essa questão que tanto lhe afligia.

Aí o mano Ademir teve uma ideia e resolveu contar uma mentira, dizendo a ele que todos nós netos fizemos uma vaquinha e fomos pagar a taxa, e o gado já estava de volta no pasto. Dizia o Zeca Bem: não carecia fazer isso, mas mesmo assim muito obrigado. Enfim depois dessa mentirinha, ele nunca mais falou do assunto, e todos nós ficamos aliviados por ter resolvido essa questão do gado.

Comentários

  1. Nome: Miguel
    Email: misagaxa@terra.com.br
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    Velho e criança são muito parfecidos, àzs vezes umna pequena peta e tudo se rfesolve na cabencinha deles. Gostei da narrativa.
    Nome: helena
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    Que gostosa essa história de família, tão parecida à de tantos por aqui; gente simples, sim, mas a melhor, que conservava e passava adiante os princípios mais corretos!
    Nome: Nivaldo
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    Satisfação novamente em ler um texto seu, com fotos dos "caboclos", de "oréias" grandes, parencedo os meus, gente que deixou a fazenda para vencer na cidade grande. De minha família paterna resta meu tio João, beirando os 90, hoje internado (R$2000,00 por mês) em uma casa de saúde em Santo André, não podendo mais se levantar e sendo alimentado via paretal. Mas, lá visitando-o, ele não mais me reconhece, poré, do passado lembra tudo, e fico encafifado quando ele pergunta se vim montado no meu cavalo, e se o deixei no pasto.

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