NÃO ME CONSIDERO SER UM POETA, MAS DOU UMAS CACETADAS!!!




25 JANEIRO DE 1994, COM A SANFONA DO MARIO  ZAN
Não me considero um poeta ou coisa parecida, apenas escrevo  quando dá na veneta, apesar de que, tendo tempo disponível, pego a caneta, um caderno e vou tentando rimar o impossível. Sem obedecer às regras ortográficas, gramáticas e outras áticas mais. Enfim “Flor de Lácio” é a nossa referencia linguística e se enfeitar muito, será palavras ao vento. Será?

Desta vez recordei “fragmentos de memória”, fiz uma miscelânea de rimas, e deu no que deu.
Segue abaixo:

Praça da Sé
Temos uma bela Catedral
Vamos rezar com muita fé
Antes que venha um temporal.
Eu trabalhava de office-boy na capital
Andava por toda região a pé, de trem
Também de ônibus – metrô só na foto de jornal
Sempre na correria – no tal do vai e vem.
Ia nas repartições publicas de toda ordem
Na valise com muitos documentos
Efetuava pagamentos – papéis em desordem
Registros em cartórios e não faltavam emolumentos.
O que via nos prédios mais antigos
Elevadores ultrapassados
Pessoas fundindo ouro com maçaricos
Caso pegasse fogo muitos morreriam assados.
Quando acontece uma tragédia
A fiscalização aparece inesperadamente
Prevenção nada era pura inércia
O assunto caía no esquecimento certamente.
Pirataria pouco existia
Aliás relógios de puro ferro
Servia pra rolo – trocar mercadoria
Ponteiros acertados pela “Luz” sem berro.
Relógio da Estação
Era referencia de hora pontual
Dois quarteirões o relógio deixava na mão
Parou de funcionar – camelô banal.
Teatro Municipal
Ambiente refinado
Por fora achava muito legal
Arquitetura de tom arrojado.
Exposições no Viaduto do Chá
Gatos em quantidade circulando
No Mappim local prá pechinchar
Fevereiro pegou fogo saí pulando.
Teatro Santana
Drama – musica – Streep tease
Cinco horas de shows bacana
Fila do gargarejo – idosos em crise.
Dois músicos animavam a platéia
Era um pianista e um baterista
Os idosos faziam bilu-tetéia
O censor procurava anarquista.
O tempo passou lá eu voltei
Os músicos foram dispensados
Musica no toca-fitas isso não gostei
Agora “elas” mostram tudo pros velhos  assanhados.
Vamos dançar no C.A.Y.
Entre outras tocavam La Mer – Blue Moom
La barca – Perfídia – até samba enredo da Vai-vai.
No Ipiranga não tinha  bar saloon.
Isso tudo é nostalgia
Fez parte da minha vida
Tempos bom com regalia
Fragmentos na cabeça embutida
Não sai de minha cabeça Porto Ferreira
Enfim tanto tempo vivendo em São Paulo
Eu vou voltar para encontrar tia Venância de Oliveira
Está na hora de encerrar ouvi um baita estalo.


Comentários

  1. Nome: Nivaldo
    Email:
    Comentário:
    Simplesmente arrazou, vivi esse tempo, gostei demais.
    Nome: Camilo Roberto
    Email:
    Comentário:
    Poderiam ser meus esses versos. Vivi nessa época com experiências e visões semelhantes. Hoje, resta a nostalgia. Termpos que não voltam mais. Como dizia Ray Charles em sua canção "I Can’t Stop Loving You", da época, resta "viver de memórias de um longo tempo no passado..." (live in memories of a long sometime...) Eu também curtia o relojão da Luz... Escreva mais para todos nós.


    Nome: Miguel S. G. Chammas
    Email:
    Comentário:
    Tangerynus, gostei da miscelânia de quadras com que vc revisita e homenageia nossa Sampa. Saiba que de Médico, Louco, Ator e Poeta, todos nós tremos um pouco.....

    Nome: Osnir
    Email:
    Comentário:
    Passei muitas vezes naquele ponto cheio de gatos. E tinha um punhado de ecoimbecís que queriam que os gatos ali continuassem. Era uma fenditina só misturando urina e fezes de gatos com as de humanos. Uma nojeira. Tudo levando a crer que fosse um perigo para a saúde pública. Felizmente prevaleceu o tal de bom senso... Abraços.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

MINHA BISAVÓ FOI PEGA NO LAÇO?

Obras de Antonio Paim Vieira pertencem ao patrimônio histórico de Porto Ferreira

TRIO UIRAPURU