O PERU QUE FALA???

                                                                    dauphine


Vila Carioca, anos de 1950

Na década dos anos de 1950 surgia na mídia falada e escrita, aliás, não era bem o termo correto, isto porque "mídia" é um termo contemporâneo. A gente ouvia falar na Rádio Nacional, Rua das Palmeiras, num programa diário que martelava na cabeça dos ouvintes uma expressão comercial inovadora, tal como "Baú da Felicidade" e "O peru que fala".

Tanto eu como demais conhecidos do bairro achávamos meio esquisito esse negócio de "O peru que fala", era criança e nunca tinha ouvido falar dessa tal prosopopeia  ou proeza, enfim. O bicho, peru, todo mundo sabe que ele não fala, apesar de que o cineasta Amácio Mazzaropi produziu um filme com titulo "As Aventuras de Pedro Malasartes", e na referida história tinha lá um peru meio maroto, e, de acordo com o personagem, o peru adivinhava coisas, o personagem usava-o como adivinho, que na verdade retratava a esperteza do Pedro Malasartes.

Num certo dia foi divulgada pelos quatro cantos do bairro uma informação que a caravana do peru que fala ia fazer um show, sorteio etc., isto na Rua Albino de Moraes com a Rua Antônio Frederico, a minha residência ficava nesta esquina.

Nesta localidade, pessoas se aglomeravam, e se não tomassem cuidado, bastava um empurrão casual e qualquer um podia cair dentro de uma fétida valeta condutora de esgoto a céu aberto.

A meninada do bairro se divertia quando ouvia falar no tal "Peru que fala", e até a gente inocentemente ironizava dizendo que: "Vamos assobiar tanto pra esse peru que ele vai ficar rouco".

Essa frase acima referida tem fundamento, isto porque quando nós encontrávamos com algum pelas ruas, num coro só, todos juntos, parecia uma orquestra de assobios, e em certas ocasiões o peru já não conseguia fazer "Glu - glu - glu". (*Vozes de animais: Peru: garrir, gorgolejar, grugrulejar, grugulhar, grugulejar).

Quando disse orquestra de assobios era porque quem fazia sucesso com assobios foi o ilustre músico "Willian Fourneaut". Willian era um fenômeno musical apesar dos seus 140 quilos de peso.

Mas falando do peru que fala, não recordo exatamente de todos os detalhes do sorteio, isto como foi realizado, lembro de que o "Zezinho", pessoa que morava numa de nossas casas alugadas, ganhou um veículo Dauphine 0K.

Pra ser sincero, não sei o que aconteceu posteriormente, se o Zezinho vendeu ali mesmo para alguém, só sei que eu nunca o vi dirigindo esse veículo pelas ruas do bairro de Vila Carioca.


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