Pra tocar sanfona, é preciso ter carteirinha?



Quando era apenas um menino com 10 anos de idade, por influencia do tio Brás, acabei entrando na Academia Musical Pietro Deiro, Rua Silva Bueno - Sacomã, que era capitaneado pelo ilustre professor Maercio Romanholi, bem próximo do inicio da Via Anchieta, e próxima também da Cerâmica Sacomã.
Mania nacional, a garotada e as meninas do bairro queriam ser acordeonistas/sanfoneiros, meu avô Zeca Bem, falava que pra ele era acordeom, harmônica era sanfona. Quatro anos estudando na academia, mas não prossegui, tinha que trabalhar, ajudar no sustento da casa. Na época existia uma autorização para poder trabalhar, carteira de menor.

Enfim entrei na academia mais por influencia e imposição, o nosso tio era um segundo pai e não podíamos desobedecer, assim era a criação nos anos de 1950, respeitar os mais velhos.
O tempo passou, mudamos da Vila Carioca para o bairro Jardim Botucatu, e o tio Brás vendeu a sanfona de marca La Stradella, o instrumento era dele.

Meu pai era servidor publico municipal, e nas horas vagas exercia outras atividades profissionais, tais como, marceneiro, carpinteiro e agora morando em outro bairro o que nós mais realizávamos era trabalhar com bombas de poço (cisterna). As marcas de bombas em evidencia foram às bombas: Paulo; Rimer e a Yara que era fabricada na Av. Nossa Senhora das Mercês, próximo do 26 Distrito Policial.
Fomos consertar uma bomba na casa do Eduardo espanhol mais conhecido por “goebeiro”, depois do árduo trabalho, conversa vai conversa vem, acabamos fazendo um cambiocó, que significa fazer rolo, troca de objetos por outros objetos não importando o que seja.

Daí pra frente não parei mais de tocar sanfona. A convite dos amigos formamos um trio musical, sendo eu na sanfona, Osmar nos teclados e o Roque Brasilino, cantor e baterista. Durante muitos anos tocando nos forros da vida, eis que aparece três senhores de preto, os três com a cabeça branquinha portanto uma pasta sobem no palco. E pergunta vocês tem a carteirinha...Eu respondi que carteirinha. Carteira da ordem... Que ordem... Ordem dos Músicos do Brasil. Pra que serve essa carteira... É a lei disse.

Fomos obrigados a providenciar a tal carteirinha da Ordem dos Músicos do Brasil -SP, pra evitar ser multado em algum salão da vida. Pagamos algumas taxas, passar por uma banca examinadora, provar que eu tocava sanfona. Uma senhora de cabelos brancos mandou pegar uma velha sanfona toda empoeirada que estava num canto qualquer da sala, e disse puxe o fole.

Uma sanfona de 48 baixos, sem alguns botões na baixaria, justamente o baixo nota Dó só no arame. Toquei apenas um trecho da musica Saudades de Matão, e já fui aprovado pela banca. Depois de algumas horas estava eu em posse de mais uma carteirinha. Já na cidade de São Carlos acontecia um fato interessante, não faziam testes práticos de instrumentos, bastava ir na OMB, dizer que tocava teclado eletrônico, recebia a carteirinha como sendo pianista.

A cada ano que passava o preço iam as alturas, sendo que muitos músicos viajavam até Poços de Caldas-MG, enfim nesta cidade conseguia a carteira pela a metade do preço, comparando com São Paulo.
Resumindo até hoje não sabemos pra que serve a tal carteirinha da Ordem dos Músicos do Brasil. Recentemente o governador “José Serra” deu um basta nisto, no Estado de São Paulo ninguém precisa ter carteirinha pra poder tocar sanfona.

*Goebero, vendedor de ovos de galinha e de patas.

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