Primeira comunhão...

MARIA PEREIRA TANGERINO
PRIMEIRA COMUNHÃO , 14 ANOS
PORTO FERREIRA - SP



A minha família é de origem interiorana, tendo como avôs maternos José Pereira Tangerino (Zeca Bem-1894+1986), Julia Alves Pereira Tangerino (1904+1958), do lado paterno os avós José Osório de Oliveira (1870-1940), Julia Maria Machado de Oliveira (1883-1946) tempos esses em que no Brasil predominava o culto da religião Católica, Apostólica e Romana, enfim religião que foi passando de geração em geração.

Os tios e tias do lado materno, num total de 11 filhos/filhas, que foram coroinhas, irmãs e irmãos Marianos em Porto Ferreira - SP., daí os sobrinhos também obrigatoriamente tinham que seguir os mesmos mandamentos, aliás, sem poder contestar, pois não conhecíamos outras religiões.

A minha mãe completou 14 anos de idade (1942) fez a primeira comunhão, a foto parece mais uma noiva casando na igreja, foto essa que achei quando revirava um velho bauzinho de madeira, que me fez lembrar dos meus 12 anos de idade (1958), que me incentivou a escrever esse texto.

Neste ano de 1958 apareceram na Vila Carioca vários padres Franciscanos, cujo objetivo era nos catequizar e doutrinar e,  meses depois, estaríamos preparados para receber a primeira comunhão. Muitos garotos tinham habito de beijar as mãos dos padres.

Eu e a garotada nunca tínhamos visto tais padres Franciscanos, achávamos meio esquisito o tipo de indumentária, corte de cabelo, e o par de sandálias que eles usavam publicamente, isso comparando com os padres tradicionais que vestiam batina de cor preta.
Eles apareciam sempre nos dias de domingos, isso antes do almoço, ocasião em que nós garotos íamos disputar uma pelada, ou melhor, uma partida de futebol. Os padres Franciscanos traziam em sua bagagem vários livros de caráter religioso e também não podia faltar uma bola de capotão.

Após ministrar aulas de catecismo em seguida a pelada, se por acaso tivessem 40 garotos, eram divididos 20 pra cada lado, ele de batina também participava, meio tempo pra cada lado, por brincadeira o padre Franciscano pegava a bola de capotão e dava um chutão pra cima, aliás, achávamos isso muito engraçado.

O tempo passou, aprendemos alguma coisa sobre religião e já estávamos preparados para receber a hóstia da primeira comunhão.

Usei o mesmo terno, terno esse que usei para receber o diploma do 4.o ano primário, sentia-me um doutorzinho, de gravata e tudo mais. Era domingo de manhã me dirigi até a paróquia de Santo Antonio, Rua Álvaro Fragoso, bem próximo da Rua Vemag, para consumar a primeira comunhão.

O padre responsável pela paróquia era um perfeito líder religioso, tinha uma boa oratória, e nas suas explanações dizia uma frase que até hoje ficou na minha lembrança: “A capela de Santo Antonio é a casa de Deus e deve ser respeitada por todos fiéis”. Não sei a razão do padre viver dizendo isso, pois durante o tempo que frequentei a referida igreja nunca vi alguma pessoa desrespeitar.

Neste domingo os padres Franciscanos se faziam presentes, a igreja estava lotada de fiéis, muitas pessoas ficavam do lado de fora. Eu e os demais garotos ficamos sentados num banco bem próximo do altar aguardando o momento de confessar.

Nada sabia dos procedimentos, aliás, não lembrava, pensei, vamos lá. Aproxima-se um padre Franciscano apresenta-se e vai me questionando sobre vários assuntos. Depois me faz uma pergunta sobre “sexo”?  Falou na bucha, termo usado grotescamente, na linguagem popular. Sem fazer trocadilho, confesso que fiquei perplexo com a tal pergunta. Senti um rubor na face, fiquei envergonhado.

Neste momento me lembrei do que o padre da paróquia vivia dizendo nas suas explanações, ali era a casa de Deus, etc., sendo que o padre Franciscano me perguntou, questionou seria um pecado, enfim estava desrespeitando o templo?

Resumindo, meio acabrunhado segui em frente e recebi a primeira comunhão, mas deixei de frequentar a igreja Católica, Apostólica e Romana. Imagine vocês que na época falar de sexo era “tabu”, isso aconteceu em 1958.

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