Radio Pirata, anos 70




Américo, o portuguesinho meu amigo de infância

Na época fiz um acordo com a empresa que trabalhava na Gráfica Orbis (Cambuci)  ocasião que recebi uma boa quantia em dinheiro, vi um anuncio no jornal, que estava vendendo vários instrumentos musicais. Não pensei duas vezes, liguei para o telefone e fechei a  compra. Comprei  uma guitarra, uma pianola Hering, que ligava na tomada, uma bateria completa, pedestal com microfone e outros apetrechos musicais.

Meu vizinho amigo Américo gostava de tocar violão e quando viu a minha guitarra ficou meio doidão, queria aprender de qualquer jeito. Eu não tinha a caixa de som (amplificador), ele tinha, fizemos um acordo ele me emprestava à caixa de som eu a guitarra. Dias depois outros colegas até então não sabia que tocavam qualquer instrumento musical ao ver os barulhos dos ensaios, aproximaram e acabamos  formando um grupo musical, aproveitamos o nome do antigo conjunto “The Kings Boys”, traduzindo para o português “Os Jovens Reis”.

Era eu na sanfona e pianola, o Zé Carlos (Xebrega) no violão elétrico dinâmico 7 bocas, o Américo na guitarra, outro amigo na bateria, lembro de duas musicas que nós tocávamos em todo ensaio, “La Bamba”, “Vamos a lá praia que o sol já vem”.

O Américo tinha vocação para engenharia eletrônica, aliás, assim que terminou o ginásio, começou a estudar eletrônica.  O papo entre nós girava sobre matemática, álgebras, equações e musica, logicamente não podiam faltar falar das namoradinhas.

Ele já ensaiava na montagem de pequenos transmissores, que conseguiu montar um e para testar, sugeriu que nós pegássemos todos os instrumentos, pra fazer um ensaio, ele ia transmitir via radio. Perguntei ao Américo, como você vai fazer essa transmissão. Deixa comigo disse ele.

Enfim montamos a parafernália instrumental numa garagem, ele ligou na tomada o seu transmissor tipo “rabo quente 6 válvulas”, mediante uma antena acoplada em outra  antena de TV, ligava também o radio numa frequência neutra entre duas do dial”, e dito e feito a vizinhança  sintonizava e ouvia as musicas “La Bamba” e “Vamos a lá praia que o sol já vem”, executada por nós.

A partir desse dia chamávamos o Américo de professor “Pardal”, isto em razão de viver inventando coisas,  não é que o portuguesinho se tornou engenheiro mesmo. Algo que ele comentou também foi à questão de naturalizar-se brasileiro. No momento de naturalizar-se foi obrigado a dizer em voz alta:“Eu renego a minha pátria”. Na época ainda não existiam as tais passaportes de duplas nacionalidades.

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