Usurparam a minha mistura


Em 1968 eu trabalhava na empresa “Gravações Elétricas Ltda.” – (Continental Discos), Avenida do Estado, Mooca – SP, tempos esses que a venda de discos de vinil era algo fenomenal.

A frequência constante de artistas nas dependências da empresa de segunda às sextas-feiras me deu oportunidade de conhecer muitos artistas famosos, tais como: Raulzito, o mesmo que Raul Seixas; Francisco Petrônio; a dupla sertaneja “Tonico & Tinoco”; Nilton César; Wilma Bentivenha e outros mais.

Em 1968 falecia o cantor das multidões “Vicente Celestino”, e daí foram produzidos milhares de discos com uma nova etiqueta, tivemos que fazer horas extras para dar conta da demanda.

Certo dia a minha mãe preparou uma marmita recheada com bastante mistura, para comer no dia seguinte. Nós tipógrafos estávamos todos empenhados em compor matrizes, nome das músicas e dos respectivos ritmos (etiquetas inserida no disco de vinil), antecipadamente todos colocavam as marmitas num “Banho Maria”, recipiente que coloca água para esquentar as marmitas, e quando soava o apito da sirene era uma correria, cada um pegava a sua marmita e pernas para o refeitório.

Eu tinha por hábito forrar a mesa com um guardanapo, botava lá em cima da mesa também as frutas e vamos nós almoçarmos, era também o momento que todos conversavam sobre vários assuntos.

Para minha surpresa abro a marmita e vejo que usurparam a minha mistura, enfim a minha mãe preparou vários pedaços de frango e o que vejo é uma porção de chuchu?! Comentei com os colegas de trabalho sobre o fato e todos caíram na risada, enfim isso acontecia todos os dias, ora com um ora com outro, até que pegaram o “usurpador de mistura”, e mandaram embora. Afinal isso não se faz com colegas de trabalho.

Acabei de lembrar que, todo funcionário aniversariante ganhava 3 Lps de presente. Bons tempos.

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