Vamos visitar a tia Tuca, lá no bairro Indianópolis




Num dia de domingo qualquer de 1953, tio Brás me convidou para ir na casa de sua irmã Sebastiana Osório de Oliveira, casada com Sebastião Theodorico Leite, que residia com sua família no bairro de Indianópolis. Tempos esses que o referido bairro e adjacências eram uma gleba de terrenos baldios.

Era muito bom, onze filhos/as em sua volta e demais parentes, a conversa ficava animada quando todos se reuniam antes do almoço. As crianças brincavam no quintal, enfim: "em conversa de adulto, criança não participa".

Por um acaso acabei ouvindo que eles falavam de Leão Salles Machado, na época era secretário de governo do Adhemar de Barros, não entendi muito bem se o Sr. Leão era primo do Adhemar ou nosso, e ficou por isso mesmo, na época tinha 7 anos de idade.

Lembrei disso recentemente e vamos nós fazer uma pesquisa, para saber realmente se isso tinha fundamento. Digitei o nome Leão Salles Machado, descobri que ele nasceu na cidade de Itápolis-SP, já foi uma informação positiva, afinal lá vive alguns parentes, meu pai e o tio Brás também viveram por lá.

Na internet achei um primo filho de Lourença Machado/José Osório de Oliveira, que confirmou o parentesco, contou-me também que na época era comum primo casar com prima. De fato ele não era primo do governador Adhemar de Barros, era primo do meu bisavô Adolfo Júlio Machado *1863. E de acordo com a pesquisa, o que ouvi em 1953, ficou guardado na memória e só agora descobri esta história.

"Leão Salles Machado nasceu em 6 de maio de 1904, em Itápolis (SP). Concluiu o curso primário em 1916, no Grupo Escolar de Itápolis. Os demais níveis estudou por conta própria. Foi autodidata, pois, além de ser humilde, a sua cidade natal na época dispunha de poucos recursos.

Começa sua formação pedindo orientação às pessoas consideradas ilustres em sua cidade. Trabalhou ainda moço como office-boy no cartório, fazendo petições para advogados locais. Recusava-se a receber por esses serviços prestados, pedindo apenas, em troca, a oportunidade de frequentar a biblioteca desses cidadãos cultos. Não teve uma formação definida e estudou por conta própria, tendo se aperfeiçoado em vários idiomas: espanhol, francês, italiano e inglês, inclusive o latim, aprendido com o padre da cidade.
Leão Machado, que era eclético, conseguiu formar uma ampla e diversificada biblioteca particular.

Foi casado com Lila Pousa Machado e tornou-se pai de três filhos: Leão João Pousa Machado, Cecília Machado Carvalho e Tarsila Pousa Machado. Mudou-se para São Paulo, no bairro do Brás, onde foi trabalhar em um cartório.

É aprovado em um concurso para escriturário do Tribunal de Justiça, tendo sido classificado em primeiro lugar. Em seguida, foi convidado a ocupar o cargo de chefe de gabinete da Agricultura do Estado. Nomeado diretor do Instituto Agrônomo de Campinas, permaneceu no cargo por dois anos. Foi posteriormente transferido para São Paulo, como diretor do Instituto Biológico, na Vila Clementino.

No governo Adhemar de Barros, prestou serviços junto à Secretaria de Viação e Obras Públicas; foi chefe da Casa Civil do governador Lucas Nogueira Garcez; prosseguiu como diretor geral da Secretaria de Saúde Pública e Assistência Social; presidiu a Comissão Estadual ligada à ONU; foi membro da Comissão de Literatura no Conselho Estadual de Cultura (Secretaria de Tecnologia e Cultura) no governo provisório do presidente da República, José Linhares; trabalhou no Ministério da Agricultura com o ministro Teodorico de Camargo, no Rio de Janeiro; no governo Juscelino Kubitschek, ainda no Rio de Janeiro, dirigiu o Serviço Social Rural.

Nesse período, estagiou em Bukley, na Califórnia, Estados Unidos, no curso de Sociologia Rural. Ao término do governo JK, passou a residir em Ubatuba (SP) até 1957, quando o governador Laudo Natel assumiu o governo paulista e o convidou para o cargo de chefe da Casa Civil, já no Palácio dos Bandeirantes.

Era uma pessoa que pouco valorizava a carreira funcional, dando importância sempre, no entanto, a sua carreira literária, da qual tanto se orgulhava. Participou de vários concursos literários organizados pelas academias Paulista e Brasileira de Letras, obtendo a premiação máxima em alguns deles.

Leão Machado faleceu no dia 23 de setembro de 1976, em São Paulo. A Avenida Leão Machado é a principal via de entrada para o Continental Shopping Center, e um dos acessos entre Osasco e o bairro do Jaguaré (SP).

A pesquisa de genealogia se resume apenas: "A história pela história, não importando se foram eles nobres, plebeus, vilões ou heróis.".

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