VOU CONTAR PRA VOCEIS


Vou contar pra voceis
(tangerynus)
Vou contar pra vocês
Uma história verídica
Que aconteceu em 1946
Quase que fatídica.
Nascia o menino
José carlos de oliveira
Neto de um caboclo
Aqui em porto ferreira.
A data correta do seu nascimento
Foi numa segunda-feira 2,30 da manhã dia 16
Que foi registrado no cartório dia 17 de dezembro
E que isso pouco importa, acho, talvez.
Ele foi o primeiro filho
Do casal: maria e benedicto
Ela sendo de porto ferreira ele de ibitinga
No, lar era só alegria pela vinda do primogênito.
Mas dias depois do nascimento
O rebento adoeceu
Teve lá uma complicação num certo momento
Foi socorrido em tempo e por pouco não faleceu.
Eu gosto de escrever
é o meu passatempo formal
às vezes eu não posso entender,
Toda escrita torna-se anormal
Falar e escrever do campo
Pra mim é um tanto complicado
Sou neto de caboclo, mas vivi na capital
Onde a vida é diferente do nosso condado atual
Na cidade tudo é correria
Pra pegar o ônibus, o metrô, o táxi,
O trem suburbano distancia
Pior do que morar no caxingui
Antes a condução
Do povão era o bonde, um
Português na direção
Outro na cobrança, brasileiro não vi nenhum
Quando chovia
O bonde parava
Na pista fria
Pois acabava a energia
Nós adultos que já somos avós
Vivemos uma certa agonia
Os netos moram um pouco retirado
Visitá-los sempre eu não podia
Você me inspirou
A escrever essas linhas
Tudo se transformou
Que bom que tu vinhas
O seu nome é mel
Pois com sua meiguice
Eliminas o fel
Fico feliz pela sua meninice
é preciso tomar cuidado
Você nos rodeia pra todos os lados
Se bobear poderá ser pisado
Enfim estamos encantados
Nesta quinta feira
Você chegou em minha casa
De mala e cuia e nos rodeia
Pegando no pé, eu acho graça.
Antes de você chegar
Andávamos na monotonia
Ela na televisão até cansar
Eu no computador compondo melodia.
Ela trabalha na escola
Eu na bomba
é muita criança de sacola
é água que tomba
O seu tamanho
Não passa de 1 palmo e meio
Gostas de tomar banho
Mas não come pão de centeio
Com você até conversamos
Se entender o que falamos
Não posso dizer, nos alegramos
Com o seu jeito de ser, brincamos.
Um bando de anu
Alojou-se na eta
Procurando alimento
Besouro porreta
O dia amanheceu chuvoso
Os raios se propagam em déo
Isso é muito perigoso
é água despencada do céu
Pego na caneta
Escrevo uma composição
Está chovendo na eta
O sabiá vai cantando uma canção
Os bem-te-vis anunciam a alvorada
João-de-barro faz a festa
Colhendo a matéria prima na enxurrada
Construindo sua casa com a porta aberta
Quero-queros levantam em retirada
Os besouros caem por toda estrada
Cigarra que voa parece cansada
Enfim a chuva deixa a terra molhada
Vou escreve um poema
Para a esposa balbina
Não sei qual seria o tema
Mas vai ser uma boa rima.
Comprei um charretinha
Pra trabalhar com ela e ganhar uns trocados
Ajuda bem na despezinha.
Com a grana comprei fumo picado
A égua estava solta
Resolvi nela montar
Dei um salto na sua direção
Ela andou quebrei o meu carão
Chamaram-me de editor
De fato um livro um livro cheguei a editar
Luiz rosa camargo foi o autor
Do compendio apostilado
Chamaram-me de historiador
Comecei a pesquisar
Na tela do computador
Eu vivia a digitar
Chamaram-me de tangedor
Fui saber o que era isso
é tangerino tocador
Gado bom de serviço
Chamaram-me de bardo
Logo pensei isso é um palavrão
Que rima com petardo
Agora vou escrever uma canção
Chamaram-me de antologista
Também não sabia o que era isto
Consultei um musicista
Disseram-me deixa disto
A musica é uma matemática
Composta por sete notas
Unida uma a uma de acordo com a temática
Vamos compondo certas propostas
Ela é um dom divino
O compositor se inspira
Fala de tudo, até do menino
Que nasceu em porto ferreira bem perto de pira
A musica é uma arte
Que transmitem sentimentos
Emoções, temas vividos em toda parte
Que somando novos conhecimentos
Antologista é um criador
De versos e prosas
Temas imaginários sem pudor
Realidade falando das rosas
Tornei-me um antologista
Bardo, compositor de histórias
Sem ser um sensacionalista
Apenas contador de fatos de glórias

Escrever torna-se uma terapia
Vamos exercitando o nosso q.i.
Descobrindo palavras que não sabia
Unindo umas as outras que vão somando por aí
A primeira linha vem na hora
Formamos um quebra cabeça danado
Segunda linha já demora
às vezes ficou com o cérebro travado
Vejo ao redor da lâmpada
As formigas voadoras
Muito alvoroçadas
Enfim são elas renovadoras
Na lente de uma lupa
Enxergo as letras pequenas
Vou cantando upa-upa
E assim descubro os teoremas
Penso em compor alguns versos
Os insetos me incomodam
Seriam eles animais perversos
De saco cheio elas me atormentam.
Conversei com minha genitora
Sobre a doença que me afetou,
Simioto falou a protetora,
Enfim 66 anos agora estou.

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