A ÂNCORA DA SAUDADE, Luiz R. Camargo

âncora original - 31 03 1901

Num sentido poético, imaginei este trecho, baseando na história da fundação de Porto Ferreira, onde sempre prevaleceu a ideia do trabalho e do progresso.

Há mais de 116 anos, as margens esquerdas do Rio Mogi Guaçu, em meio às matas, galerias com as flores e os frutos silvestres, atracou uma embarcação que ali lançou sua âncora.

As saracuras, os Martins pescadores, os paturis, as garças e outras aves aquáticas ficaram contentes.

Os peixes do caudaloso Mogi em cardumes rio abaixo e rio acima, faziam o percurso dando graças aos céus pelas águas límpidas, onde os raios solares penetravam, iluminando as entranhas mais difíceis  de suas profundeza. À noite, o Rio Mogi Guaçú retratava o céu na Terra captando a luz fosca da Lua e do pontilhado de estrelas que reluziam nas alturas.

Um aglomerado humano, motivado pelo surgimento do pequeno porto fluvial que iniciava, começou a se formar, com a denominação de Santa Cruz, sendo batizado popularmente por Bota Fogo.

Essa âncora seria o marco da futura Porto Ferreira, que levou esse nome, por chamar-se João Ignácio Ferreira, o barqueiro que trabalhava nesse porto. O pirangueiro foi o grande personagem que figura nos anais histórico de nossa terra  e o Bairro de Santa Cruz (Bota Fogo), foi o grande embrião que deu origem a nossa querida Porto Ferreira, âncora de trabalho, de esforço, de bravura, de amadurecimento, de coragem e de patriotismo. Porto Ferreira, âncora do Brasil, cidade operária onde impera a capacidade de seus filhos, sendo o exemplo vivo de evolução e prosperidade.

Este pequenino recanto do país “encalhado” nas margens do Rio Mogi Guaçú é uma âncora da saudade; um passado distante que está presente em nossa lembrança. Deve ser narrado de pai para filho... “Trago em minha roupa o cheiro do peixe que passou nadando entre meio da âncora da saudade...”.

“Parabéns ferreirenses de todas as idades, pelo aniversário da hospitaleira terrinha de João Ignácio Ferreira, salve 29 de julho de 2013”.

“Seja um defensor da natureza com o entendimento e os recursos que possuir. Você depende dela pra viver”. Porto Ferreira assenta-se sobre ela.

Luiz Rosa Camargo 

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