Estações, anos 70

  
Rua Gal. Couto Magalhães uma via pública importante localizada na região das estações, que foi minha rotina, indo e vindo, aliás, trabalhei numa empresa gráfica em dois períodos como aprendiz, 1963 a 1965, e retornando em 1972 a 1975, como profissional.

Em cima da oficina gráfica tinha um hotel de curta permanência, que era um entra e sai de casais. (Uma região comercial, industrial, tendo ao seu redor três estações, tais como: antiga Estação Rodoviária – Estação Sorocabana – Estação da Luz).  Anos depois foi construída a nova Rodoviária, que uniu a estação do Metrô.

Camelôs por todos os lados, vendendo e trocando relógios de péssima qualidade aos que por ali passavam. Os camelôs acertavam o relógio pelo relógio da estação da Luz, alguns quarteirões adiante o relógio parava, era puro ferro. Assim disseram pessoas que foram logradas.

Pela região tinha muitos “inferninhos”, casas das trabalhadoras do sexo, algumas subiam no ultimo andar dos edifícios e simulava que ia se jogar lá de cima, era um espetáculo a parte, em baixo curiosos esperando um desfecho, não recordo de nenhuma que se jogou, outro fato peculiar era o odor, um cheiro no ar de coisas velhas, cheiro semelhante ao do porto de Santos.

Batedores de carteira tinham aos montes, aliás, presenciei que um senhor de boa aparência, bem vestido caminhava pela Rua Timbiras, daí dois garotos estavam planejando fazer algo errado, momento em que coloquei a mão no bolso simulando  que estava armado, perceberam o meu gesto não realizaram o seu intento. Quem sabe, pensaram que eu era um tira. Era comum garoto surrupiarem carteira de que por ali passava e sumia por entre as galerias, que tinha saída por vários lugares.

Sempre estava nas imediações um grupo de pessoas explorando o jogo das “três pedrinhas”, isto é, carregavam dois caixotes, colocavam um em cima do outro, às vezes numa mesinha de madeira. Juntavam pessoas em volta e iniciava a picaretagem, o apostador nunca acertava em qual objeto estava à pedrinha, bolinha, ou uma tampinha de garrafa, enfim eles eram muitos hábeis.

Lojas que vendiam armas, tipo espingardas, revolveres tinha aos montes. Lembro de que na Rua Mauá em frente da Estação da Luz, tinha uma loja que vendia instrumentos musicais, acho que foi a “Casa Meireles”.

Ia passando por esta rua vi dentro da loja um acordeão com 420 baixos, algo inédito, um instrumento sendo executados por quatro pessoas ou mais, um deles movimentava o fole no vai e vem que era agregado a um pequeno trilho com rodinhas. Adentrou nesta loja um acordeonista e tocou a música “Tema de Lara”, um arranjo bem diferente da trilha original.

Quem estava sempre por ali era o “Zé do Caixão” com a sua tradicional indumentária de cor preta, Walter D’Avila entrava no restaurante do português só para trocar de camisa, ele carregava uma valise 007, colocava em cima da mesa do restaurante tirava a do corpo vestia outra e saia tranquilamente. O famoso humorista e radialista “Pagano Sobrinho” ficava na janela de seu apartamento olhando pessoas que passavam na rua.

A região era conhecida por pessoas de mais idade como sendo “Cinelândia”, isso em razão de existir varias empresas cinematográficas. Recordo também que passava por ali um Galaxie não recordo a cor, sendo pilotado pelo “Mingo” músico do conjunto “Os Incríveis”, tendo como passageiros os demais integrantes.

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