ESTRADA DAS LÁGRIMAS - SACOMÃ




ÁRVORE DAS LÁGRIMAS

Fui visitar a minha genitora, já com as suas oitenta e duas primaveras no jardim da vida. Depois de uma boa conversa, resolvi andar a pé pelas ruas do Jardim Botucatu, passando pela Vila Nossa Senhora das Mercês, Avenida Tancredo Neves e o Ponto Fábrica foi uma boa caminhada.

No inicio da Rua Bom Pastor ainda existe uma oficina de alfaiate. Entrei e conversei um pouco com o dono da alfaiataria; aí lembrei do meu tio Valentim Tangerino que confeccionava calças para o "Pedrão Alfaiate", e que nesses tempos acabei aprendendo chulear as costuras internas. O que me deixava irritado era quando tinha que chulear calças de brim.

Passou um filme na minha cabeça. Via-me andando pelo Ponto Fábrica, comprando partituras para acordeão; vi o bonde aberto, ao mesmo tempo o bonde camarão; o Cine Samarone; o castelo da referida família, no início da Via Anchieta; a Cerâmica Sacomã; o local em que retiravam argilas que ficou conhecida por "Boca da Onça"; a casa de show do ilustre "Uccho Gaeta".

O campo de futebol de chão batido próximo da Rua Américo Samarone, e, em sua volta, um enorme arvoredo - talvez fossem eucaliptos -, local em que assassinaram uma moça por nome de Lídia, e a famosa "Árvore das Lágrimas". Na Rua Bom Pastor tinha a Gráfica Linel, indústria especializada em produzir folhinhas e calendários; a indústria que fabricava condutores elétricos não existe mais.

Tudo diferente, lógico. A Rua Silva Bueno totalmente desfigurada: prédios pichados, estavam construindo o terminal do tão famoso "Fura Fila", viadutos ligando a Via Anchieta com Avenida Juntas Provisórias. Eu queria tirar uma foto da "Árvore das Lágrimas", circulei pela esquerda da Via Anchieta, acabei saindo na Avenida Almirante Delamare. Ali, uma gleba de prédios, favelas; não consegui encontrar a árvore. Estava indo no sentido do Hospital Heliópolis. Pensei: não tem importância, outro dia voltarei e vou tirar uma foto.

Fui seguindo por uma avenida que liga o bairro Heliópolis à Estrada das Lágrimas e vejo a igreja Santa Edwiges. Na ocasião, era uma pequena capela, atualmente bem ampliada para abrigar os devotos. Próximo da igreja tinha um ferro-velho, local em que eu ia vender cobre, alumínio, ferro, garrafas etc.

Certa vez, um dos donos do ferro velho foi linchado na Rua Albino de Moraes, e, o outro escapou ileso.

Entrando na Rua Alencar de Araripe, recordei que morei por ali. Tudo diferente, na época sem asfalto, passava um riacho que depois foi todo coberto. Caminhando pela Alencar, achei a casa dos meus tios, Cláudio e Ana.

Um bom papo com os tios e primos, um café, é hora de retornar até o Jardim Botucatu. Segui a pé, passando pela Via Anchieta, 26ª. DP, Avenida Padre Arlindo Viera, e vamos nós. É assim mesmo: o tempo vai passando e os arquivos da mente voltam à tona.

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