Jardim Botucatu e adjacências

Na década dos anos de 1960, uma enorme gleba de terras foi sendo desmembrada entre as vilas: Vila Moraes; Vila Brasilina; Vila N. S. das Mercês; Vila Caraguatá; Parque Bristol e adjacências, que daí surgiu novos distritos tais como: Jardim Santo Antônio; Jardim Botucatu; Jardim da Glória; Jardim Clímax; Jardim Maristela.
Abaixo da Rua Professor Lucas Nogueira Garcez, atualmente Rua Brigadeiro Amílcar Veloso Pederneiras, indo no sentido da Avenida do Cursino, do lado esquerdo existia uma enorme chácara, local em  que criavam suínos, carroções movido a tração animal e caminhões de lixo coletado na periferia ali iam sendo despejados, era uma espécie de aterro sanitário, na época ninguém falava em aterro sanitário.
Neste local  foi feito serviço de terraplanagem que transformou tudo num grande loteamento, pequenos lotes, lotes  esses medindo na sua maioria mais ou menos 10x25.
Avenida Padre Arlindo Vieira que liga vários bairros a partir do trevo da Via Anchieta, 26º Distrito Policial – Sacomã,  até o Parque Bristol era apenas um caminho entre uma grande mata nativa, que aos poucos também foi sendo loteados, terrenos baldios em que vários circos se instalavam.
Recordo apenas do “Circo do Penacho” lá esteve Carlos Gonzaga, na época cantava “Bat Masterson”, Luiz Gonzaga, Pedro Sertanejo e seu filho Oswaldinho, então menino, dedilhavam na sanfona.
Nós moradores destas localidades tínhamos duas opções falando de transportes coletivos, embarcar no ônibus da linha Vila Nossa Senhora  das Mercês com destino ao Parque Dom Pedro II, ponto de embarque na Estrada do Curral Pequeno, atual Avenida Nossa Senhora das Mercês, em frente da igreja do mesmo nome e a linha  Vila Nossa Senhora  das Mercês - Via Mercado – Praça  da Republica, tendo seu ponto de embarque em frente do estúdio fotográfico do “Pedro japonês”, o pioneiro falando de artes fotográficas no bairro.
Era imenso o deslocamento de pessoas andando a pé até chegar no ponto de ônibus com destino aos seus locais de trabalho, no calor era poeira, tempos de chuva não tinha como evitar de pisar na lama avermelhada, aliás, o que mais se via, eram pessoas colocarem no sapato um saquinho de plástico em cada pé, outros usavam galochas de borracha.
O ônibus vivia lotado, e para embarcar era complicado, sempre tinha algum apressado furando fila, daí surgiam atritos, aliás, isso não acontecia quando tinha lá alguns soldados da Força Pública (atual PM) eles estando ausentes tudo voltava à estaca zero. A frase que mais ouvíamos dentro do ônibus era: “Por favor, me de licença, vou descer no próximo ponto”. Boa parte dos passageiros descia após passar o primeiro trevo da Via Anchieta, nessa época ir para o trabalho já causava estresse.
Nosotros desta localidade éramos  conhecidos por “Índios dos pés vermelhos”, isto por aqueles que moravam nas ruas asfaltadas, ninguém ligava pra isso, muito menos eu. Algumas quadras antes do ponto de embarque nos tirávamos  os saquinhos  dos sapatos que ficavam um tanto úmidos.
A empresa imobiliária que loteou parte das terras onde existe o ponto de ônibus próximo do “Bar do Palestino”, em 1962 anunciava em suas propagandas uma enorme vantagem, isto é, quem comprasse terrenos na região de Santo Amaro tinha como premio 5.000 tijolos e 1 milheiro de telhas. Com essa oferta de compra a região de Santo Amaro também se expandiu, mas isso é outra história.
Muitos moradores  que pagavam aluguéis nos barracos de madeira e/ou  casas de alvenaria existentes na Vila Carioca passaram a ser proprietários nesse  novo loteamento, as prestações eram fixas. Quem era mais abastado construíam suas casas contratando algum empreiteiro, nós e outros mais construímos na base do mutirão. Iniciava com o básico de uma moradia. (Quarto, cozinha e banheiro, e na medida do possível íamos aumentando, aliás, às vezes algum conhecido nos perguntava, como é já terminou a igreja?)
Com isso muitos depósitos de materiais de construções foram se instalando na Avenida Padre Arlindo Vieira, padarias, barbearias, bares, estúdio fotográficos,  mercadinho, depois supermercados, agencias bancárias, correio, magazines, enfim todo tipo de comércio.
O bairro Jardim Botucatu passou a ter saneamento básico a partir de 1975, ocasião em que a população se beneficiou, tendo água encanada esgoto e depois o asfalto.
De uns tempos para esta data os terrenos outrora baldios se transformaram num aglomerado de prédios, basta olhar de norte, sul, leste oeste, e verá que de 1962 pra cá como progrediu a nossa região.


Comentários

  1. Nome: Osnir
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    Alguma vez já comentei neste site que logo nos meus primeiros tempos de guarda-civil fui enviado para trabalhar nesse pedaço de S. Paulo. Eu e um colega. Uma escuridão absoluta. Não havia quase casas. Não lembro de visto uma sequer. Também não me lembro qual foi a razão de termos sido enviados para local tão êrmo. Alteração total, com seus muitos prós e alguns contras provavelmente. Aqui, por ex., onde moro 6a. feira última demorei 35 minutos de minha casa ao centro comercial. Direi: 600/700 metros. Abraços.



    Nome: Etel
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    Um relato jornalistico do progresso daquela regiao. Eu, pessoalmente, nao conheco este pedaco de Sao Paulo, mas ja havia ouvido falar. Alias , através dos seus textos tenho me familiarizado mais com esta São Paulo desconhecida pra mim.


    Nome: Nivaldo
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    Passou um filme em minha memória.

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