MARMITA DENTRO DE UM ESTOJO DE VIOLINO

 
A região do Ipiranga – Moóca – Brás nos tempos do expansionismo industrial abrigava uma leva de indústrias de pequeno, médio e grande porte. O meio de transporte foi o bonde aberto, bonde camarão, trem suburbano (Santos-Jundiaí), depois veio os ônibus coletivos.

A indumentária usada pelos trabalhadores era os tradicionais ternos, sempre portando uma bela valise, até pareciam ser executivos, outros faziam um belo pacote, isso para carregar a marmita, eu também faziam um bom pacote com as sobras das revistas do Instituto Monitor Radio e Televisão, isto é, revistas que faltavam algumas páginas.

Na rotina de ir para o trabalho sempre víamos também um cidadão bem vestido que carregava um estojo de violino. Como a gente pegava ônibus no mesmo horário acabávamos conversando uns com os outros passageiros, e ficamos intrigados, curiosos com aquele cidadão. Na troca de conversas  a gente comentava, onde será que o cidadão vai tocar violino tão cedo. Ninguém tem o direito de se preocupar com os outros, cada um vive do jeito que quer, mas...

Mas, num determinado dia, o cidadão ao descer os degraus do ônibus, acabou tropeçando e o seu estojo caiu no chão, que abriu e aí para a nossa surpresa o que tinha dentro era uma marmita, bananas, pãezinhos e uma garrafa térmica de café.


A pergunta coletiva de nós passageiros foi: “cadê o violino”. Seria um violino marca Stradivarius, aquele famoso que só existem quatro no mundo. Não querendo fazer piada, afinal a tal pessoa poderia ficar ofendida, mas sempre tem um “espírito de porco” e caiu na gargalhada. O cidadão juntou a marmita e demais objetos e foi embora.

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