Não fui convocado pra servir o exército

 
Ano muito esperado por mim, isto porque era a idade de alistar nas Forças Armadas. Tempos esses em que muitos amigos acabavam aprendendo alguma profissão, e se tivesse vocação para ser militar, já era meio caminho andado, após encerrar o tempo de serviço, ficava mais fácil para ingressar na Policia Civil e também na Força Pública, atual Polícia Militar.

Mas a ansiedade era em razão de vivermos tempos da ditadura militar, teria que ir para outro estado, isso eu digo em razão de que um amigo residia em Porto Ferreira e  foi convocado, teve que ir servir o exército em Brasília.

Umas das questões pra mim era o fato de ser subordinado a uma hierarquia, coisa que nunca gostei, enfim não tinha aptidões para ser soldado, apesar de que anos mais tarde quase que me tornei um “soldado da água e do fogo” da gloriosa corporação de bombeiros, fiz teste de natação na Billings, em pleno mês de julho, fazia um frio danado, e depois de nadar peguei uma gripe e a tão famosa “Tosse comprida”, mas o objetivo era ser músico da Banda Militar.

Mas falando de alistamento fui eu me alistar, no quartel do Cambuci, Batalhão de Saúde. Ao adentrar nas dependências do quartel tinha lá vários soldados sentinelas, e diziam eles  que queriam cigarros, enfim ganhavam pouco era preciso se virar. A gente pegava o maço de cigarros tirava um do maço e entregava, eles pediam mais, isto porque os seus amigos soldados estão tirando cadeia e também queriam fumar, devido à pressão psicológica acabei dando o maço inteiro.

Solicitei informações sobre alistamento militar, diziam que não era ali e sim no “Viaduto Maria Paula”. Chegando ao local indicado pelos soldados, os de lá diziam que era no Cambuci, faziam a gente de bobo, enfim eles eram militares, tínhamos medo?

Na segunda vez deixaram entrar, mas de novo pediram cigarros, e desta vez não tinha, disse a eles que não fumava. Outros rapazes da mesma idade por ali aproximavam com o mesmo objetivo de alistar, os soldados davam uma manjada e quando percebiam que eram ingênuos, pessoas de outros estados ou do interior,  diziam pra eles: “Vocês trouxeram o polegar direito?”. Os rapazes diziam que não! Vocês só poderão alistar quando trouxer o polegar direito, sem ele nem vão entrar no quartel. Enfim eles iam embora dali preocupado, não sabiam o que era o polegar direito.

Depois de um tempo de espera na fila, entreguei os documentos e o responsável foi anotando os dados. Tinha lá um jovem com traços de japonês, e o soldado responsável pela inscrição, o chamava de “Bodão”, creio que isso era brincadeira. O japonês também acabava rindo da gozação.

O meu registro de nascimento era escrito em manuscrito (caligrafia), nasceu em Porto Ferreira, comarca de Pirassununga, diziam também que Porto Ferreira não existia nem no mapa, e acabaram me alistando como sendo de Pirassununga.


Resumindo no dia 27 de novembro de 1968 fui buscar o “Certificado de Dispensa de Incorporação”, por não residir em município tributário, e desta vez fui retirar o documento no “Viaduto Maria Paula”. Amigos que serviam na Aeronáutica ou no Exército emprestavam a farda para tirar uma foto, registrando assim a data da maioridade, isso após completar os 18 anos.

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