Pau seco que dá broto

ÔNIBUS

PONTO DE ÔNIBUS - SP - AV. DO ESTADO

BUEIRO QUE CAI ERA SEM TAMPA


Dezembro de 1968.

Eu trabalhava na tipografia Andreotti, Rua Teixeira Leite, 174, bairro conhecido por "Treme treme". Na época, exercia a profissão de distribuidor tipográfico e já estava apto a montar matrizes de todo tipo, meses depois, já era tipógrafo-paginador.

O local de pegar o ônibus para ir ao Jardim Clímax era o mesmo de quando trabalhava na empresa Gravações Elétricas - "Discos Continental"; aliás, o ponto de ônibus era na Avenida do Estado, bem próximo da Mesbla.

Fim de ano o tempo esquenta. Tem sol, tem chuva, alguém dizia: "Sol e chuva, casamento de viúva", "Chuva e sol, casamento de espanhol". Não sei quem inventou tal frase, era um dito popular.

Nesse dia eu não portava guarda-chuva, e quando cheguei próximo do ponto veio um toró; fiquei todo molhado. Encontrei a ex-namorada no ponto de ônibus, o coração bateu mais forte, mas senti que já tinha perdido o páreo. Ela me dispensou meses atrás e casou com outro (assim eu soube por outras pessoas, enfim, não era pra dar certo o nosso relacionamento).

"O pau seco que dá broto", aliás, o ponto de ônibus estava repleto de pessoas, todos aguardando, eu também. O fato é que depois de uma hora surge lá adiante ele, o ônibus, lotado. Que felicidade, desta vez eu vou pra casa. Aconteceu que peguei na alça para subir nos degraus e o ônibus partiu: em vez de subir, eu caí dentro de um bueiro que estava aberto. Com água até o pescoço, fui me agarrando pelas beiradas do bueiro e saí. Aquilo foi a gota d'água pra todos rirem de mim. Fiz de conta que nada tinha acontecido.

Esperei outro ônibus e consegui entrar, meio apertado, mas fui embora dali. Muitos passageiros diziam que estavam sentindo cheiro de rato molhado. De fato, eu também sentia um cheiro desagradável, mas e daí? Ônibus lotado, janelas fechadas, deixa pra lá, todos os passageiros eram suspeitos, pois estavam quase todos molhados também.
Que belo dia: encontro a ex-namorada e ainda caio dentro de um bueiro fétido. Mas assim é a vida, um dia as coisas terão que melhorar... E melhoraram!

Comentários


  1. Nada de tristeza e n lamente as perdidas ilusões, o negocio é partir para outra. Quanto ao bueiro e cheiro um bom banho acaba com tudo...rsrsr. Uma vez eu estava toda arrumadinha e perfumada, era coordenadora pedagógica de uma escola particular, a chuva já havia passado e eu tinha que caminhar um pequeno trecho até lá. Bem próximo dela, um ônibus veio com tudo sobre a lama que estava perto da guia, conclusão, fiquei da cabeça aos pés com lama, ninguém parou e tb me senti mal, mas limpei o rosto com pude e me dirigi para escola, lá as freiras me ajudaram lavando minhas roupas e pude me lavar tb. Confesso que até chorei nete dia , mas depois passou. Um beijo.

    por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br ]

    Essa grafica era q ue fazia as tabelas do campeonato paulista dos anos 1950. Ia sempre lá buscar. Ficava sabendo pela propaganda da radio pan americana, a emissora dos esportes.

    Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br ]

    Oliveira, nada melhor que um dia após o outro. A namorada te rejeita, a chuva te encharca e v. cai num bueiro... e v. queria o quê...? São prenúncios de dias venturosos. E foi assim, nè...? Parabens. Modesto

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