Plano Collor

          No ano passado estava circundando nas proximidades da Rua Cubatão, próximo do Hospital Santa Rita encontrei um amigo que a longo tempo que não tinha noticias.  Quando ele morava em São Paulo trabalhou como motorista, depois fez curso para trabalhar como instrutor de autoescola e agora morando no interior, cidade de Porto Ferreira, fez um curso para ser corretor de imóveis.

          Trabalhando na profissão de corretor de imóveis seu lema era: “Se tiver dinheiro disponível compre um imóvel, e não um automóvel”.

          Dizia ele que no tempo das vacas gordas conseguia vender terrenos, chácaras, sítios etc., e vivia tranquilamente com a sua família, mesmo pagando aluguel. Comentou que tinha herdado de seu pai alguns alqueires de terra, terras essas lá numa cidade do interior de São Paulo, zona rural de Descalvado, que seriam divididas em três partes, aliás, o testamento já estava pronto, para uma futura divisão.

          No fim do mandato do Presidente Sarney era uma loucura, quem tinha reservas financeiras viviam aplicando e ganhavam muito dinheiro, muitas pessoas só viviam de juros.

          Rapaz, disse ele, eu também entrei nessa, vendi a minha parte e apliquei tudo no tal de “overnight”. É mesmo quer dizer então que você ficou rico com as aplicações financeiras. Confesso que ganhei alguns trocados, mas foi eleito o Presidente Collor de Melo, ele e seus ministros inventaram o “Plano Collor” e confiscou tudo, eu só podia sacar 50,00 paus por mês. Esse tal plano destruiu muitas vidas pelo Brasil afora.

          Esse tal de plano acabou comigo, eu andava na minha Variant pra cima e pra baixo, as vendas foram se esvaindo e me ferrei  de uma vez só. Já não conseguia pagar o aluguel, conta de luz, de água. Cheguei a ser despejado da casa em que morava, por sorte a minha esposa tinha feito inscrição para casa própria, fomos sorteados e estou morando nela.

          Passei uma fase um tanto critica, veja você, eu não tinha dinheiro para pagar a papelada pra  depois poder receber as chaves da casa. Mas aconteceu um fato interessante. Eu andava meio sem rumo, afinal sem vender nada comecei a beber umas e outras, e certo dia passei no bar do Rolo encontrei por lá uns amigos que estavam jogando bilhar de mesa que me convidaram para entrar no jogo.

          Entre uma partida e outra o tempo ia passando, resolvi comer uma pururuca, e assim foi, estava muito boa, só que de repente dei uma dentada na pururuca e... Engoli o pivô de ouro. Enfim disse o amigo, só me faltava essa agora, ficar desdentado.

          Despediu-se dos amigos todos já meio encharcados de pinga, foi pra casa, às pururucas ingeridas estavam fazendo efeitos colaterais, veio à famosa “dor de barriga”. A solução foi ter que garimpar, mesmo sabendo que é uma situação nojenta, mas não poderia perder o pivô de ouro. Isso feito, dias depois  conseguiu vender o pivô e mais uns trocados que a esposa guardara serviu para pagar as despesas, e assim mudamos para a tão sonhada casa própria, que vou pagar em 25 anos em suaves prestações.


          Eu disse. Meu amigo que história é essa. Respondeu ele que jamais pensou em passar por uma situação dessas. Assim é a vida eu comentei, a gente  passa por uma situação um tanto ruim depois vem o lado bom, afinal hoje você está morando numa casa própria, 25 anos passam depressa, o valor das prestações é bem menor de que  um aluguel, é ou não é.

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