QUE SONHO LEGAL II

UM MAQUINISTA ESCRITOR

MARIA FUMAÇA - MUSEU DE JUNDIAÍ-SP








Chegando à estação ferroviária da Cia. Paulista em Porto Ferreira, após todos os passageiros desembarcarem, o chefe da estação solicitou aos funcionários que fizessem uma boa limpeza em todos os vagões, retirassem o material do correio-ferroviário, e em seguida que o maquinista fosse até o “giradouro”, e deixar a locomotiva em posição de retorno a São Paulo.

O jovem francês cansado da longa viagem, disse-me que ia para o hotel mais próximo, e na manhã seguinte iríamos conversar sobre a possibilidade de ilustrar o meu compêndio, que fiquei de lhe entregar assim que pudesse.

Passaram alguns dias eu não vi mais o jovem francês, até que num dia que eu estava de folga, ia passando na Praça da Matriz de São Sebastião (Porto Ferreira) vejo ele sentado num banco. Não falo francês, mas brincando falei “bonjû”, ele respondeu sorrindo, e iniciamos a conversa pendente.

Apresentei a ele algumas folhas de caderno, com o meu escrito, que intitulei: “Os três do Porto e a Banda Animal. O jovem francês deu uma lida, muitas coisas ele não entendeu o que significava. Logicamente pensei, a cultura dele é bem diferente da minha, sou “Caipira de Porto Ferreira”, ele veio lá de longe, isso é normal, acredito que ele está vivendo numa outra estratosfera, quase tudo pra ele é novidade, e pra assimilar a nossa cultura, leva tempo.

Um mês depois, encontrei com o jovem ilustrador, já com um esboço dos personagens, e gostei plenamente. Foram quatro figuras, tais como: Sankaré; Bumbac’os; Pandolim e Ketry.

1.     SANKARÉ – Sanfona com jacaré
2.      BUMBAC’OS – Zabumba com macaco
3.      PANDOLIM – Bandolim com Urso panda
4.      KETYRY – Triângulo com Quelônio (tartaruga)

Gostei do arranjo criativo do jovem pintor francês, apesar de serem nomes inventados, tipo neologismo. Ainda mais sendo criado por estrangeiro, mas com tanta brasilidade nas veias. Achei algo fenomenal.

Isso feito, agora eu tinha que pensar numa maneira de editar o livro, que acabei arrumando vários colaboradores para essa empreitada. As páginas escritas de próprio punho, em letras manuscritas, foram enviadas para a editora, que deu um trabalho danado para quem datilografou.

A capa do livro foi uma criação do pintor francês, e todas as ilustrações no miolo também. Tudo bem, livro impresso, chegou o momento do lançamento, que foi numa data do contato. Grêmio Recreativo foi o local escolhido para a noite de autógrafos. Não podia faltar a presença da Bandinha da cidade, abrindo o evento cultural.

A única emissora da cidade e também o jornal colaboraram na divulgação do livro, enfim, foi vendido no lançamento uns 100 livros, e foi doado um para cada estabelecimento de ensino, cujo objetivo da doação era incentivar as crianças a ler, escrever, e quem sabe, algumas delas poderiam também deixar algo registrado, com certeza pelo menos um que leu teria vocação para escrever mais tarde...


  • “Nota do autor: A história que acabei de relatar, foi em razão de ter recebido um chapéu da Cia. Paulista, que bati um foto de mim mesmo, e quando dormia, sonhei”.



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