Se não beber vai levar bala


Vila Carioca, anos de 1950

Numa tardinha qualquer, dos anos de 1950, dois amigos adentraram num pequeno estabelecimento comercial, secos e molhados, mais conhecido por “Bar do Seu Arlindo”, localizado na confluência de duas ruas, Rua  Albino de Moraes com a Rua Abatixi.

Na verdade o estabelecimento era um misto de bar com mercearia, que muitas pessoas compravam fiado, tudo anotado na famosa “cardeneta”. A novidade é que ele também comprou uma TV, daí a garotada também freqüentava, para assistir desenhos animados, filmes de bang bang, e nos domingos era o dia tradicional, assistir partidas de futebol. Na época poucas pessoas do bairro possuíam televisão, e outros bares também usavam esse artifício para conseguirem mais fregueses.

Tínhamos no bairro de Vila Carioca, vários bares que tinham tevês, tais como: Bar do Spolon (Av. Carioca/R. Lício de Miranda); Bar do Zeca (R. Álvaro do Vale); Bar do Quincas(R. Lício de Miranda-r. Albino de Moraes); Bar do Américo (Av. Carioca-R. Abatixi) e Bar do Barriguinha (R. Lício de Miranda/R. Colorado).

Voltando a história dos dois amigos, aconteceu que eles, chegaram a tardinha, que foram ingerindo bebidas alcoólicas sem parar, no inicio da bebeção, eles convidavam amigavelmente todo aquele que entrava no estabelecimento,  depois a coisa mudou.

Não sei o porquê, um deles sacou um revolver 38, e começou dar tiros a esmo pra rua, e tiros pipocavam nos ares da vila, que confundiam com fogos de artifícios, aquelas bombinhas tradicionais da época.

Dentro do estabelecimento quase não tinha espaço, mesmo com o camarada dando tiro a esmo. Alguém comentou bem baixinho no meu ouvido. “logo acaba as balas que estão no tambor, à gente pega esses dois malucos”.

Acabaram as balas do revolver, pegaram o individuo pelo pescoço, levaram para o meio da rua e começou a pancadaria, que virou um linchamento, eu estava dentro do bar, dei no pé.

A noite se fazia presente, Rua Albino de Moraes sem iluminação, o outro que não possuía arma levou uns cascudos, meio embriagado foi adentrando num terreno vazio, e se escondeu debaixo de uma velha carroceria de caminhão, e gritava de dores.

O valentão que estava armado acabou  morrendo ali bem na esquina, Rua Albino de Moraes/Rua Abatixi, no chão-batido, terra preta, e ao seu lado um cachorro vira-lata.

Logo chegou a “baratinha da polícia”, um fusquinha preto e branco, e os policiais foram buscar o que estava debaixo da carroceria, e lhe perguntaram, qual era sua profissão: “trabalho num depósito de ferro-velho, na Estrada das Lágrimas”, pertinho da igreja Santa Edwiges, essa resposta foi motivo de muita gargalhada das pessoas que ali estavam.


E assim terminou mais um linchamento no bairro de Vila Carioca, anos depois aconteceu mais um em frente da sede do Bandeirantes Futebol Clube, Rua Albino de Moraes com a Rua Antonio Frederico.

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