REI DO GATILHO





Num domingo qualquer do passado, reunimos um grupo de amigos e fomos de Kombi para o Estádio Cicero Pompeu de Toledo, mais conhecido por “ Morumbi”.  Neste dia São Paulo x São José se enfrentaram, disputando uma partida pelo Campeonato Paulista.
O amigo “Zé da Tina” estacionou sua Kombi nos arredores do estádio, e vamos nós comprarmos  ingresso. Não recordo muito bem, mas acho que todos do grupo eram torcedores do tricolor paulista.
O Morumbi está lotado, e neste domingo fazia um calor escaldante, motivo de ir de bermuda e sandália, e outros mais também.
O primeiro tempo seguia tranquilamente, eis que num determinado momento, o “Mario Sérgio” comete uma falta, daí o responsável pelo painel eletrônico destaca  um flash “Rei do gatilho?”. Isso foi motivo de muita gargalhada, dos torcedores em geral. Fiquei sabendo que logo em seguida, o responsável pelo "painel eltrônico", foi demitido por justa causa.
Acabou o primeiro tempo, e hora de “tirar água do joelho”, ir no banheiro desaguar. O grupo todo desceu as escadarias da arquibancada e vamos nós fazer xixi. Uma vez isso resolvido, todos nós vamos repor, beber cerveja. No bar do estádio não serviam cerveja em garrafa, abriam e despejavam num enorme copo de plástico.
Enquanto eles foram para as arquibancadas, retornei ao banheiro, daí complicou, na minha volta para as arquibancadas, não encontrei ninguém. Foi o mesmo que procurar uma agulha no palheiro.
A solução foi sair do estádio, e tentar localizar onde estava à bendita Kombi, fato esse que andei por várias ruas nas proximidades e também não encontrei, dava-se a impressão que todas as ruas próximas do estádio eram iguais.
Pensei, agora estou ferrado, sem grana no bolso, como vou fazer pra retornar ao bairro do Jardim Botucatu?
Retornei ao portão principal do estádio e fiquei observando, era gente metendo as mãos na carteira daqueles que passavam por ali, e nem percebiam, isto porque, eles em grupo exprimiam as pessoas, momento que enfiavam a mão no bolso.
O jogo terminou, não lembro quem foi o vencedor, e só me restou procurar algum conhecido, quem sabe poderia pegar uma carona.
Já meio cansado, isso já eram mais de 23hs00, por sorte encontrei um velho conhecido por nome de Marcos, estava ele ali com sua barraca vendendo bebidas e lanches, mas já recolhendo todo o vasilhame vazio, acabei dando uma mão e vamos nós, no meio das caixas de vasilhame.
Que alivio de ter encontrado o amigo Marcos, conversei com ele sobre o fato de ficar para trás, sem nada no bolso. Tudo bem o disse, me ajuda a carregar as caixas de vasilhames, você vai no meio delas. Legal, respondi, desde já te agradeço, pois não sei o que faria se não encontrasse ninguém por aqui, a não ser que pegasse um táxi e lá na casa de minha mãe fazíamos uma vaquinha.
Enfim, o meu amigo Marcos me deixou na porta de casa, fato esse que nunca esqueci, e me fez escrever esta história.

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